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A Culpa é das Estrelas (e do amor)

A Culpa é das Estrelas (e do amor)

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Filósofos vem se debruçando sobre o tema há séculos, Platão dizia que o amor aproxima o homem do divino, do belo e do puro. É um processo que só pode ser experimentado pela alma através do amor. As artes cumprem seu papel ao traduzirem a essência desses sentimentos em algo mais tangível e representativo. Seja um poema, uma peça ou um filme, a representação do amor é o que nos desperta visualmente para o belo de que se refere Platão.

Nada me tocou tanto ultimamente quanto a representação de amor em “A Culpa é das Estrelas”. O livro, escrito por John Green, é um dos maiores best-sellers da atualidade. Apesar de conhecer o livro e vê-lo nas mãos de dezenas de pessoas, meu interesse nunca foi além da capa azul e da tipografia legal do título. Meu primeiro contato com a história veio com o trailer do filme, o que me despertou um grande interesse, tanto pela estética quanto pela história em si.

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Hazel (Shailene Woodley) e Gus (Ansel Elgort) são dois adolescentes que têm em comum uma triste história de luta contra o câncer. Conseguir lidar com a inevitabilidade do fim talvez seja a pior das dores na vida de Hazel. De um lado, tenta se abster da vida social e encontrar um sentido na própria morte e, de outro, agradar seus pais, que lutaram todo esse tempo ao seu lado e merecem ser felizes após sua partida. Já Gus, recuperado do câncer, vive a sua segunda chance com entusiasmo e alegria. Mesmo perdendo parte de uma perna no processo, Gus acredita que ainda possa fazer a diferença, fazer algo grandioso para que seja lembrado pela eternidade.

O encontro dessas duas personalidades é o tesouro de “A Culpa é das Estrelas”. Adaptado para as telas pelos roteiristas do excelente “500 Dias com Ela” (2009), fica claro, apesar da temática diferente, a forma intimista e sensível que os personagens dos dois filmes compartilham. Mas o mérito está mesmo é na história criada por John Green. Criticado por “forçar a barra” com um casal doente, Green vai além e usa o câncer como alegoria para nossas imperfeições e inseguranças.

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Hazel tem um câncer de pulmão e precisa arrastar com ela um tanque de oxigênio. Gus usa uma prótese de perna. Ao colocar esses defeitos físicos nos personagens, Green, de forma sutil, cria uma identificação com o público. Não por pena ou algo do gênero, mas porque todos nós temos problemas ou falhas que desejamos ocultar. Não somos perfeitos, tentamos a todo custo ser alguém que não somos. Mensagem brilhantemente passada pelo personagem do escritor Van Houten (Willem Dafoe), que de forma um tanto buckowskiana, choca os jovens com sua realidade amargurada. A beleza de “A Culpa é das Estrelas” começa aí.

A alegoria de Green não só faz efeito como leva a audiência imediatamente para dentro da tela. É como voltar a acreditar em contos de fadas, só que agora, num mundo bem menos colorido. Das duas senhoras sentadas ao meu lado até a legião de adolescentes ao meu redor, a emoção foi contagiante. Da mais improvável história, Green cria um conto de fadas num mundo imperfeito, balança o mais solitário dos corações e provoca os desacreditados. O amor existe, Platão.

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