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Filosofando sobre o Snapchat

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Em um mundo maquiado por filtros e edições nas fotografias e nos vídeos, a instantaneidade do Snapchat segue na contramão. Capturar o momento é o objetivo. Nenhuma outra rede social conseguiu fazer isso tão bem até agora.

De certo modo, gosto da ideia de efemeridade do Snapchat, faz cair por terra nossa ilusão de autoimportância e necessidade de um legado que signifique algo. É uma lição de humildade para quem procura significado em tudo que escreve ou lê. Deixar a palavra escrita ou a foto tirada se esvair com o tempo é entender que tudo é temporário, até mesmo você.

Em contrapartida, o Snapchat é focado no indivíduo, quando se inicia o app pela primeira vez, a câmera está literalmente voltada para você. Apostar no individualismo joga um balde de água fria na primeira reflexão (sobre a efemeridade). É um paradoxo: desapego vs. supervalorização.

Mais uma vez, o conceito de rede social perde seu significado para se tornar um repositório de egos. Mais um espaço para fantasiar uma vida perfeita, documentando frivolidades de um cotidiano imperfeito. A previsão de Andy Warhol em 68 nunca fez tanto sentido: “no futuro, todo mundo será mundialmente famoso por 15 minutos”. Warhol só errou uma coisa, os vídeos agora são de 15 segundos.

É um retrato (ou quem sabe um snap) inconvenientemente atual da nossa sociedade. Nada fica, nada dura mais que algumas horas. Notícias ficam velhas no instante em que são lidas, somem no limbo do excesso de informação e exposição. Tudo é apagado com a borracha da busca frenética por conteúdos e sorrisos tímidos de 5 segundos para a tela iluminada de um celular.

Cinquenta Tons de Cinza: o filme e seus tons

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Aos impacientes de plantão, adianto-me: não, eu não gostei do filme. Porém, ao contrário do que você, nobre leitor, deve estar pensando neste momento, meu desgosto com a película em questão nada tem a ver com teor softporn ou a temática sadomasoquista. Minha intenção aqui é levantar um tema que, preocupantemente, pouco se tocou sobre o(s) livros/filme, os estereótipos. Segundo o dicionário Michaelis:

Estereótipo sm (estéreo+tipo): Imagem mental padronizada, tida coletivamente por um grupo, refletindo uma opinião demasiadamente simplificada, atitude afetiva ou juízo incriterioso a respeito de uma situação, acontecimento, pessoa, raça, classe ou grupo social.

Guarde esse conceito na cabeça, retornaremos nele mais a frente.

“Cinquenta Tons de Cinza” é o primeiro livro da trilogia bestseller escrita pela britânica Erika Leonard James, foram mais de 10 milhões de cópias vendidas apenas nas primeiras semanas. O conteúdo erótico logo virou o foco das atenções e o livro adquiriu, pejorativamente (porém merecidamente) a alcunha de “pornô para mamães”. E. L. James baseou sua história numa fan fiction de Crepúsculo que escrevera, mudou o nome dos personagens e os vampiros brilhosos deram lugar ao chicote e aos sex toys. A abordagem mais adulta, de certa forma, me agrada, contudo, a história de E. L. James em nada tem de adulta. É mais pobre que Crepúsculo (acredite se quiser!), previsível, machista e moralista.

A estudante de literatura Anastasia Steele (Dakota Johnson) precisa fazer um favor a sua amiga de quarto Kate (Eloise Mumford) e entrevistar um poderoso CEO da cidade para o jornal da faculdade. Ao chegar no luxuoso prédio da empresa, a ingênua Anastasia conhece o enigmático Christian Grey (Jamie Dornan). Após o primeiro encontro, uma estranha relação começa a desenrolar entre os dois e Anastasia percebe que Grey está interessado por ela. Porém, o mundo de Christian é bem diferente e obscuro do que ela imaginava. Ele propõe um relacionamento controlado de acordo com seus próprios termos de submissão e dor.

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O roteiro fraco e unidimensional esquece o restante do enredo e, como num conto erótico, mantém o foco apenas nas partes interessadas. Os diálogos são pobres e na maioria das vezes acabam virando uma piada involuntária (acredito que devam soar melhor escritos no livro). As cenas no “quarto do prazer”, como carinhosamente Grey o apelidou, são tediosas e nada tem de eróticas. Demérito da direção fria de Sam Taylor-Johnson, que mantém a câmera parada, distante e sempre passiva. É um sexo plastificado e industrializado, longe da perversão de um “Ninfomaníaca” (2013) de Lars Von Trier ou da repugnante cena de estupro em “Irréversible” (2002) do francês Gaspar Noé. Definitivamente, “Cinquenta Tons de Cinza” não é um filme para adultos, pelo menos não para adultos com mentalidade de adulto.

De bom mesmo, só a trilha sonora. Os créditos iniciais são ao som de I Put A Spell On You, música eternizada na voz de Nina Simone, aqui cantada por Annie Lennox. Além da música tema Love Me Like You Do, de Ellie Goulding, o longa conta com várias excelentes canções que vão de Beyoncé a Frank Sinatra, até Rolling Stones. Vale destacar também o trabalho de Danny Elfman na condução da música incidental. O compositor favorito de Tim Burton faz aqui um de seus trabalhos mais diferentes, sua música é responsável por dar ritmo e tensão às cenas mais picantes.

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Lembra-se que falei sobre estereótipos mais acima? Pois bem: por baixo de sua falsa pretensão de ser erótico e desmistificar o mundo BDSM (o que de forma alguma o filme faz), “Cinquenta Tons de Cinza” esconde uma visão machista e moralista de nossa sociedade.

É uma proposta muito diferente da forma libertária feminista como o livro é vendido. Explico a confusão: o fato do livro levar o tema sexo para o grande público feminino quebrou vários tabus e fez com que ele se tornasse uma bandeira da liberdade feminina. Apesar de criticar que o conteúdo erótico do livro/filme seja, de fato, erótico, reconheço que todo o burburinho ao redor da história fez bem à discussão feminista. Contudo, poucos percebem o desserviço que os estereótipos de Christian e Anastasia provocam no público.

Christian Grey, como bem definiu Marcelo Hessel, é “uma mistura de Bruce Wayne com rei do camarote”. É o príncipe moderno, sua carruagem agora é um helicóptero (mulheres suspiraram nessa cena na sessão em que eu estava). Anastasia é a pobre donzela que encontra seu príncipe, sua única chance de sair da realidade em que vive. A forma como Anastasia se encanta, não só pela beleza de Grey, mas por seu estilo de vida é tão problemático e recorrente nas histórias adolescentes, que fico boquiaberto quando esse tipo de literatura é ovacionada por quem se diz lutar por direitos iguais. A história fantasiada de romance objetifica ambos: a futilidade de Grey e a fragilidade exacerbada de Anastasia. Colocam homem e mulher no mesmo clichê preconceituoso de séculos atrás. Grey é machista (sim, meninas: é possível ser machista sendo romântico), Anastasia é moralista.

O que pessoas fazem entre quatro paredes, se é de comum acordo e prazeroso para ambas, só diz respeito a elas e, por mais moralista que nossa sociedade ainda seja, não há nada de errado nisso. O problema de “Cinquenta Tons de Cinza” não é sobre quem vai ser o submisso na cama, mas sim de quem é o dominado socialmente. Repense o filme sob essa perspectiva.

Guardiões da Galáxia: a surpresa do ano!

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Se “Guardiões da Galáxia” for um aperitivo do que Marvel e Disney estão preparando para os novos filmes de Star Wars, nós fãs podemos ficar tranquilos. Está demais! Sabe aquilo que esperávamos com Episódio I, II e II? Aquele clima leve, humor na medida certa, perseguição com naves espaciais, alienígenas coloridos e muita, muita aventura? Pois é, senhores, o novo filme da Marvel Studios consegue ser isso e muito mais!

A ousada aposta que até pouco antes da estreia era uma incógnita, se transformou numa inesperada surpresa para o público e crítica. Parecia um tiro no pé, mas o estúdio estava tão confiante do material que tinha em mãos, que até mesmo antes do lançamento anunciou uma sequência para 2017. Pausa para um parêntese marvete: (Enquanto a Marvel já parte para estabelecer seu segundo universo nos cinemas, a DC Comics…).

Depois de um Homem de Ferro 3 bem mais ou menos e boas sequências de Thor e Capitão América, parecia que todos os coelhos já tinham saído da cartola, mas a parceria Marvel e Disney não para de render bons frutos. “Guardiões da Galáxia” é o filme mais divertido do ano! A começar pela trilha sonora oitocentista, que conta com Marvin Gaye, David Bowie, Jackson 5 e várias outras preciosidades da década do black power. É uma playlist digna de Tarantino, diga-se de passagem. [Clique aqui e compre a trilha!]

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O ponto forte da trama são os carismáticos (e bizarros) personagens. Peter Quill (Chris Pratt), um terráqueo que foi abduzido ainda criança, é um caçador de recompensas que comercializa itens raros pela galáxia. Porém, quando sua missão trivial de encontrar um orbe num planeta distante cruza com os interesses de forças muito poderosas do universo, o aventureiro galáctico precisa unir forças com uma turma bastante heterogênea.

E quando digo heterogênea, é exatamente isso que quero dizer: um guaxinim falante super inteligente, uma árvore humanóide com vocabulário muito limitado, um ser super forte com sede de vingança e uma alienígena verde filha adotiva do maior vilão das galáxias. Esses são Rocket Raccoon (Bradley Cooper), Groot (Vin Diesel), Drax (Dave Bautista) e Gamora (Zoe Saldana), respectivamente.

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Não por acaso “Guardiões da Galáxia” está sendo considerado por muitos como o Star Wars dessa geração. Ainda é cedo para afirmar, mas é possível ver claramente traços de personagens da saga de George Lucas no longa da Marvel. Peter Quill tem a personalidade de um Han Solo, Gamora é uma Princesa Leia mais badass, Drax o Lando Carlrissian e Rocket e Groot como uma repaginada de C3PO e R2D2. Incrível como o diretor e roteirista James Gunn conseguiu fazer tudo funcionar perfeitamente!

Uma das características que sempre gostei em Star Wars é não perder tempo explicando sobre os planetas, raças, galáxias… Eles simplesmente existem e pronto, acostume-se com esse universo. Essa sensação de ser jogado em algo completamente novo e mesmo assim um tanto familiar é a porta de entrada também de “Guardiões da Galáxia”. Você compra a história pela aventura, simples assim! Corra para o cinema e não se esqueça de ficar até o final dos créditos!

A Culpa é das Estrelas (e do amor)

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Filósofos vem se debruçando sobre o tema há séculos, Platão dizia que o amor aproxima o homem do divino, do belo e do puro. É um processo que só pode ser experimentado pela alma através do amor. As artes cumprem seu papel ao traduzirem a essência desses sentimentos em algo mais tangível e representativo. Seja um poema, uma peça ou um filme, a representação do amor é o que nos desperta visualmente para o belo de que se refere Platão.

Nada me tocou tanto ultimamente quanto a representação de amor em “A Culpa é das Estrelas”. O livro, escrito por John Green, é um dos maiores best-sellers da atualidade. Apesar de conhecer o livro e vê-lo nas mãos de dezenas de pessoas, meu interesse nunca foi além da capa azul e da tipografia legal do título. Meu primeiro contato com a história veio com o trailer do filme, o que me despertou um grande interesse, tanto pela estética quanto pela história em si.

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Hazel (Shailene Woodley) e Gus (Ansel Elgort) são dois adolescentes que têm em comum uma triste história de luta contra o câncer. Conseguir lidar com a inevitabilidade do fim talvez seja a pior das dores na vida de Hazel. De um lado, tenta se abster da vida social e encontrar um sentido na própria morte e, de outro, agradar seus pais, que lutaram todo esse tempo ao seu lado e merecem ser felizes após sua partida. Já Gus, recuperado do câncer, vive a sua segunda chance com entusiasmo e alegria. Mesmo perdendo parte de uma perna no processo, Gus acredita que ainda possa fazer a diferença, fazer algo grandioso para que seja lembrado pela eternidade.

O encontro dessas duas personalidades é o tesouro de “A Culpa é das Estrelas”. Adaptado para as telas pelos roteiristas do excelente “500 Dias com Ela” (2009), fica claro, apesar da temática diferente, a forma intimista e sensível que os personagens dos dois filmes compartilham. Mas o mérito está mesmo é na história criada por John Green. Criticado por “forçar a barra” com um casal doente, Green vai além e usa o câncer como alegoria para nossas imperfeições e inseguranças.

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Hazel tem um câncer de pulmão e precisa arrastar com ela um tanque de oxigênio. Gus usa uma prótese de perna. Ao colocar esses defeitos físicos nos personagens, Green, de forma sutil, cria uma identificação com o público. Não por pena ou algo do gênero, mas porque todos nós temos problemas ou falhas que desejamos ocultar. Não somos perfeitos, tentamos a todo custo ser alguém que não somos. Mensagem brilhantemente passada pelo personagem do escritor Van Houten (Willem Dafoe), que de forma um tanto buckowskiana, choca os jovens com sua realidade amargurada. A beleza de “A Culpa é das Estrelas” começa aí.

A alegoria de Green não só faz efeito como leva a audiência imediatamente para dentro da tela. É como voltar a acreditar em contos de fadas, só que agora, num mundo bem menos colorido. Das duas senhoras sentadas ao meu lado até a legião de adolescentes ao meu redor, a emoção foi contagiante. Da mais improvável história, Green cria um conto de fadas num mundo imperfeito, balança o mais solitário dos corações e provoca os desacreditados. O amor existe, Platão.

Homo Cordialis F. C.

A antropologia da Copa

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O historiador Sérgio Buarque de Holanda (sim, o pai do Chico), em seu importantíssimo livro “Raízes do Brasil”, descreve de forma precisa a sociedade brasileira. Para Sérgio, o brasileiro é o “homem cordial” em essência. A tão difundida generosidade brasileira, tem raízes muito mais profundas na formação do caráter do nosso povo. É uma máscara que esconde a fragilidade do indivíduo perante à sociedade. Nas palavras do próprio Sérgio:

“No ‘homem cordial’, a vida em sociedade é, de certo modo, uma verdadeira libertação do pavor que ele sente em viver consigo mesmo, em apoiar-se sobre si próprio em todas as circunstâncias da existência. Sua maneira de expansão para com os outros reduz o indivíduo, cada vez mais, à parcela social, periférica, que no brasileiro – como bom americano – tende a ser a que mais importa.”

Essa hospitalidade, esse “horror às distâncias”, faz com que o brasileiro traga para perto de si, de forma amável e igualitária, quem quer que seja. Do comerciante que precisa fazer de seu freguês um amigo ao santo que precisa ser humanizado. A cordialidade é um mecanismo social que dá ao brasileiro um campo de batalha “democrático”, um jeitinho de nunca deixar a festa acabar-se por completo. Porque, como todos sabem, nós adoramos uma festa, não é mesmo?

Nada une mais o brasileiro como nação que uma Copa do Mundo. Bandeiras verde e amarelas guardadas há 4 anos saem das gavetas para decorarem janelas, carros e escritórios. O frenesi midiático toma conta da programação de TV, os anunciantes desesperados tentam linkar suas marcas ao evento. Em toda Copa o ritual é o mesmo. Porém, em 2014, algo está diferente.

Pela primeira vez como país plenamente democrático, o brasileiro presencia a chegada do evento mais importante do futebol mundial. Mas apesar do alarde inicial, sediar tal evento não é tão fácil. Desde o anúncio em 2007, muito foi prometido e pouco se viu concretizado. Do projeto inicial de expansão de malha ferroviária, aérea e rodoviária, estamos entregando praticamente o mínimo necessário para que o evento aconteça. Isso sem falar nos estádios…

Mas o brasileiro está ciente disso tudo. Do garotinho que sonha jogar num clube na Europa, passando pelo trabalhador da Classe C até a PresidentA da República. Nós sabemos que o governo emprestou mais dinheiro do que devia através do BNDES, sabemos que algumas obras foram superfaturadas e outras virarão “elefantes brancos” no meio da floresta amazônica. Sabemos que nossa estrutura não é nem de longe a ideal para receber esse evento.

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Cordialmente, o brasileiro aceita tudo. Porque nada pode estragar o evento pelo qual ele sonhou tanto. Ver sua Seleção jogando em casa, quem sabe levantando a taça para delírio das multidões, que com a cara pintada de verde e amarelo, chorarão lágrimas de alegria num carnaval fora de época pelas ruas do país inteiro.

O brasileiro foi às ruas um ano atrás, mas agora, na iminência do evento, é contra protestos, greves e paralisações. O ufanismo toma conta, dizem que o que está feito, está feito. Que não vale a pena reclamar a essa altura. Se acovardam no momento em que os holofotes se viram para nós. Os grevistas do transporte e educação são hostilizados nas ruas, quando deveriam ser ovacionados. Ora, que melhor momento para protestar senão num grande evento como esse?

Mas o homem cordial prefere evitar o conflito, afinal de contas, é a C-O-P-A-D-O-M-U-N-D-O. Prefere esconder essa mancha dos visitantes ao invés de pedir ajuda. Prefere parecer igual quando na verdade é desigual. Prefere dar aquela varridinha para debaixo do tapete na esperança de ninguém olhar embaixo. Porque o brasileiro é assim, cordial a ponto de preferir esconder seus problemas sociais só para não estragar seu esporte favorito. Nossa hospitalidade não tem mesmo fim.

Noé: o épico sobre o homem

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Desde o fim da Era de Ouro do cinema americano, Hollywood vem contando cada vez menos histórias épicas. Do grandioso Os Dez Mandamentos (1956) de Cecil B. DeMille, passando por Ben-Hur (1959) de William Wyler e por Lawrence da Arábia (1962) de David Lean, restaram apenas a lembrança das gigantescas produções, dos milhões de figurantes e dos orçamentos recordes. Hoje, substituídos pelos blockbusters, o gênero épico vive à margem dos estúdios.

Quem resolveu tirar o gênero do ostracismo foi o diretor Darren Aronofsky, mais conhecido pelo seu último trabalho, Cisne Negro (2010). Aronofsky é fascinado pela história de Noé desde os 13 anos, a ideia de fazer um filme com a sua versão da história perpassava a cabeça do diretor desde então. Porém, antes de levar às telas, Aronofsky desenvolveu um roteiro com Ari Handel, seu colaborador em Fonte da Vida (2006), O Lutador (2008) e Cisne Negro, e o entregou ao artista canadense Niko Henrichon, para que o adaptasse numa Graphic Novel. Lançada em 2011, o objetivo da história em quadrinhos, além de servir como base visual para o filme, era também ajudar Aronofsky a vender a ideia do filme à Paramount Pictures, estúdio por trás da produção.

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Com um orçamento estimado em 125 milhões de dólares, em 2012, a produção do épico começou a ser rodada. O papel de Noé ficou com o experiente ator Russell Crowe. Na trama, Noé recebe um sinal sobre o iminente castigo divino e precisa montar uma arca para salvar todas as espécies de animais. Completam o elenco: Jennifer Connelly, como Noéma (esposa de Noé), Anthony Hopkins, como o antepassado Matusalém e Douglas Booth, Logan Lerman, Leo McHugh Carroll e Emma Watson como os filhos Sem, Cam, Jafé e Ila, respectivamente.

A polêmica fica por conta da visão de Aronofsky da história clássica. Se por um lado tínhamos um foco grande no divino, na versão aronofskyana, o foco vai para o homem, mais especificamente, Noé. Explorar os dilemas pessoais do impacto de tal homérica tarefa na vida de Noé e sua família é o grande acerto da nova adaptação. Aronofsky usa o personagem para discutir os conflitos internos da humanidade: o que é certo ou errado, o que é ser bom ou mau, o que é ser homem. Noé carrega o peso do mundo nas costas, e esse destaque em sua psique o torna um personagem interessantíssimo a ser explorado. G-E-N-I-A-L!

A visão cruel da humanidade, brilhantemente personificada no vilão Tubal-cain (Ray Winstone), é um lembrete à imperfeição humana, ele nos coloca frente a frente com o problema, nos provoca, critica e aterroriza com a verdade. É, de fato, um julgamento sobre nossa humanidade.

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Na parte técnica, muita câmera na mão, planos sequências e tomadas por trás do personagem principal, todas características marcantes do diretor. A diferença dessa vez, fica por conta da escala do filme, Aronofsky está acostumado a fazer filmes menores, independentes e com baixos orçamentos. Mas engana-se quem pensa que o diretor deslumbrou-se com o cheque do estúdio, “Noé” é uma das direções mais competentes da carreira de Aronofsky até o momento. Outro ponto de destaque é a trilha sonora de Clint Mansell, grandiosa e impactante, marca o compasso e a escala do filme. Os efeitos especiais, principalmente no que diz respeito à chuva, estão impecáveis. Já o 3D, é convertido e não acrescenta ao filme, mais uma vez a tecnologia é usada apenas como caça-níquel do estúdio. Se possível, invista num ingresso de IMAX, vale a pena!

Envolto em muitas críticas religiosas, “Noé” não irá agradar ao público que espera a mesma história já conhecida. Trata-se de uma história baseada na original, com muitas distorções e elementos diferentes. Pessoas estão se equivocando ao chamar a releitura de Aronofsky de uma má adaptação. É uma nova história, um novo recomeço, mas com uma mensagem tão bela quanto. Esvazie-se do preconceito e aproveite o momento para um julgamento moral, junto a Noé e sua família. Seja ateu ou religioso, esse filme é sobre você: homem.

Robocop: uma crítica disfarçada de blockbuster

Injustiça compará-lo ao original, injustiça NÃO compará-lo.

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Mexer com os clássicos não é fácil, há filmes que atingiram o patamar de intocáveis na memória dos fãs. O protecionismo com as obras não é em vão, o retrospecto de Hollywood com esses remakes não é nada animador. Por mais que essas novas versões ofendam os antigos fãs, elas fazem dinheiro, e para o estúdio, não há nada melhor que ele ($$$). A bola da vez é o robô policial meio homem, meio máquina. Vinte e sete anos depois, o clássico cult de Paul Verhoeven ganha sua versão século XXI. Contudo, um brasileiro chato (assim ele mesmo se definiu) resolveu cruzar o caminho da produção hollywoodiana.

José Padilha consagrou-se mundo a fora com seu jeito cru e real de colocar na tela a violência do Rio de Janeiro. O diretor de Tropa de Elite 1 e 2 e Ônibus 174 já estava na mira dos grandes estúdios a um bom tempo. Muitos outros já se aventuraram, Walter Salles, Heitor Dhalia, Fernando Meirelles… Mas lutar contra a máquina secular da indústria do cinema é como comprar uma briga com um semi-deus. Por isso a ida de Padilha à Hollywood deve ser encarada como única até então, pela primeira vez um brasileiro não só dirige um filme americano “de estúdio”, como também tem controle sobre grande parte da produção.

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Mas como todo mortal, brigar com um semi-deus não foi fácil. Boatos de que em uma suposta ligação durante o período de produção, Padilha teria confessado a Fernando Meirelles que a pressão do estúdio era tamanha que de 10 sugestões que ele fazia, o estúdio rebatia 9 e ele ainda teria de brigar muito para manter a única aprovada. Boato que nunca se provou, mas que no fundo, todos sabemos que um pouco de verdade deve ter.

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Na América de 2028, a polêmica que toma conta das discussões na mídia é sobre a utilização de robôs nos EUA para combate ao crime. De um lado, o senador Hubert Dreyfuss (Zach Grenier) defende que os robôs não tem discernimento para tomar decisões que coloquem em risco vidas humanas, de outro, o CEO da Omni Consumer Products – OCP – Raymond Sellars (Michael Keaton), que acha a pacificação com robôs no oriente prova suficiente para que o congresso aprove a nova lei. Sellars está disposto até a testar novos produtos para conseguir mudar a opinião pública. Para isso, ele recruta um de seus maiores cientistas, Dr. Dennett Norton (Gary Oldman) para desenvolver um robô que também carregue traços de humanidade.

Em Detroit, o detetive Alex Murphy (Joel Kinnaman) tenta como pode combater a criminalidade que se alastra até dentro do próprio departamento de polícia. A busca de Sellars e Dennett pelo candidato perfeito termina quando Murphy é vítima de um atentado na sua própria casa. Prontamente, a OCP coloca seu plano em ação e propõe à Clara (Abbie Cornish), esposa de Murphy, a única chance de salvar a vida do marido.

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É a partir desse ponto que original e remake tomam caminhos distintos. Se no original Murphy perdia completamente sua humanidade após a transformação em Robocop, aqui acontece justamente o oposto. Murphy ainda continua sendo humano, mantendo sentimentos e memórias, seu corpo robótico funciona apenas como uma prótese com melhoramentos.

Essa nova abordagem dá mais tempo de tela ao dilema existencial homem/máquina. Ao inverter a ordem “máquina se tornando homem”, somos transportados para a nova realidade de Murphy e vamos aprendendo com ele a ser uma máquina.

Na direção, Padilha deixa claro já nos primeiros minutos sua pretensão de manter o aspecto “favela” de Tropa de Elite: cenários valorizando a destruição, câmera na mão e foco na violência. Para ajudar na tarefa, Padilha também trouxe sua equipe: o diretor de fotografia Lula Carvalho, o montador Daniel Rezende e o compositor Pedro Bromfman, todos envolvidos na produção dos dois clássicos do diretor.

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E os paralelos entre Robocop e Tropa não param por aí. Difícil não lembrar do apresentador de TV Fortunato, interpretado por André Mattos em “Tropa de Elite 2”, ao ver o personagem de Samuel L. Jackson em tela. Pat Novak apresenta um programa completamente parcial que defende cegamente as corporações e a ideia do uso de robôs no país. Mais uma ótima atuação de Jackson!

Mas nem tudo é perfeito na Detroit de José Padilha, Robocop tem vários problemas. Não podemos esquecer que se trata de um blockbuster, vez ou outra, a filosofia existencial de Murphy precisa dar espaço ao tiroteio desenfreado e ao combate com meia dúzia de ED-209s. O roteiro tem vários furos e o terceiro ato parece ter sido feito às pressas. Não temos tempo de ver o impacto do Robocop atuando na cidade, nem o aprofundamento da relação com seu antigo parceiro, Lewis (Michael K. Williams) – sim, Lewis é um homem agora.

Mas no balanço final, Robocop é um bom filme. Aliás, consegue ser melhor que qualquer remake/reboot feito nos últimos dez anos por Hollywood. Nas circunstâncias atuais da indústria, era o que dava para ser feito. Contudo, se analisarmos cuidadosamente, retirando toda a camada de tiros e ação, podemos perceber no roteiro claras críticas aos Estados Unidos e sua política externa. Se tem o dedo de Padilha aí, não sabemos, mas que ele está acostumado a cutucar a ferida assim, nós brasileiros sabemos bem! Enfim, o mérito não foi um brasileiro ter dirigido um filme americano, foi ter colocado sua visão nele, ter levado sua equipe junto, ter ganhado notoriedade e respeito. Usando as palavras de Padilha: “É o primeiro filme brasileiro feito em Hollywood”.

Assista ao trailer:

Gravidade: uma incrível experiência audiovisual

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Um “pálido ponto azul”, assim definiu Carl Sagan ao ver a Terra do ponto de vista da Voyager 1, nos confins do sistema solar. A famosa foto de Sagan cumpriu seu papel ao mostrar, na escala do universo, o quão irrelevantes e pequenos somos nós. [Não conhece o “Pálido Ponto Azul”? Veja o vídeo aqui.]

“Gravidade” parte do mesmo pressuposto. A imensidão do espaço e o pequeno ponto/ser humano à deriva. Uma equipe de astronautas é enviada para fazer reparos no telescópio Hubble quando são pegos de surpresa pela explosão de um satélite russo, que causa um efeito em cadeia, gerando uma “chuva” de destroços na mesma órbita da missão. Com várias baixas e o ônibus espacial seriamente danificado, o experiente astronauta Matt Kowalski (George Clooney) e a Dra. Ryan Stone (Sandra Bullock) são os únicos sobreviventes do acidente. Sem comunicação com a Terra, precisarão se virar sozinhos para voltar para casa.

Com um elenco tão enxuto, o filme só funcionaria com a boa química entre os dois personagens. E a escolha não poderia ser melhor. Clooney encaixou-se perfeitamente no papel do veterano astronauta em sua última missão, esbanjando confiança e carisma. Já Bullock, a astronauta de primeira viagem, vai sutilmente revelando os conflitos internos da personagem, numa atuação que a coloca, mais uma vez, entre as melhores atrizes de sua época. O filme só funciona por causa dela.

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Escrito e dirigido pelo mexicano Alfonso Cuarón, de “Filhos da Esperança” (2006), “Gravidade” é um dos melhores thrillers espaciais já feitos, certamente o melhor da última década. Não há exagero algum ao dizer isso, nem mesmo quando comparado à “2001: Uma Odisseia no Espaço” (1968), na verdade, a comparação é INEVITÁVEL! A fotografia exuberante de Emmanuel Lubezki e o balé espacial da direção de Cuarón, não deixam dúvidas de que a intenção era ir muito além de apenas homenagear a obra de Stanley Kubrick. Com objetivos claramente distintos, “Gravidade” deixa de lado a filosofia de “2001” e foca na corrida pela sobrevivência num ambiente completamente hostil à vida.

A mirabolante direção de Cuarón, se aproveita de todos os artifícios da gravidade zero para levar a câmera num passeio sem eixo, com pontos de vista raramente explorados, indo e vindo na imensidão do cosmos. Ao mesmo tempo, mescla uma direção intimista, com longos closes e câmeras em primeira pessoa. É para se aplaudir de pé!

O som não se propaga no espaço, o silêncio impera. Então, como criar cenas de ação no silêncio absoluto? Mais uma vez o brilhantismo técnico de “Gravidade” nos dá uma aula de como utilizar a ausência de som para criar tensão, fazendo até da respiração dos personagens, uma trilha. Assinada por Steven Price, a trilha sonora é impactante, porém entra apenas em momentos pontuais, sem invadir a atuação e respeitando o silêncio.

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A junção da fotografia de Lubezki e os incríveis efeitos especiais, criam uma experiência única de imersão. O 3D realmente funciona e, assim como em “As Aventuras de Pi” (2012), está ali para ajudar a contar a história. Cenas como a explosão da estação espacial, com incontáveis destroços flutuando sem rumo no espaço, é tão incrível visualmente que a única expressão que consigo pensar para defini-la é: embasbacante.

O roteiro simples, porém, revelador, encanta não só pela narrativa, mas também pelas belíssimas metáforas sobre vida, morte e renascimento. Cada diálogo tem sua importância, cada ação representa alguma coisa. “Gravidade” não é uma filme de sobrevivência, é um filme sobre aprender a viver. É uma segunda chance com uma história incrível para contar.

Veja o trailer: 

Diário de um Assassino no Carnaval

ASSASSINS

Durante a festa profana do carnaval, resolvi virar um assassino medieval. Um assassino frio e calculista, que se mistura com a população, que mata seu alvo sem ele nem mesmo perceber. Bem, se você não notou ainda, estou falando de Assassin’s Creed.

Meu primeiro console ganhei em 1993, um Master System III Compact que guardo até hoje (na embalagem original!), de lá para cá muita coisa mudou no mundo dos games. Nunca tive outro console, sobrevivi a todas as gerações com o PC e depois nem mais ele. Porém, no último natal, resolvi voltar a jogar “like a boss” e me presenteei com um Playstation 3. O famoso console da Sony lançado em 2006, junto com seu arquinimigo Xbox 360, são o que há de melhor no mundo dos consoles. Com a Sony revelando que anunciará o sucessor do PS3 em breve, o que me levou então a comprar um console que já está no fim de seu ciclo de vida? A resposta é simples: os jogos.

Chegar atrasado numa geração de consoles tem sim suas vantagens, posso ir direto ao filé mignon das grandes franquias já consolidadas e aproveitar o máximo de tudo que a plataforma oferece. Foi assim com Assassin’s Creed. A franquia criada pela Ubisoft em 2007, é uma das mais famosas da atualidade, contando com 5 jogos na cronologia principal e mais inúmeros conteúdos para diversas mídias, inclusive filmes!

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Para minha experiência carnavalística, adquiri o primeiro jogo, o segundo e o Brotherhood (uma espécie de 2 1/2). A dinâmica do jogo realmente me impressionou, já tinha visto vários jogos de steath, como o bom e velho Metal Gear, mas o que de fato chama a atenção em Assassin’s Creed, é o cenário. Ambientado na Idade Média, você percorre cidades como Jerusalém e Damasco em busca do seu alvo, sempre disfarçado em meio a multidão. Como já haviam me alertado, o primeiro jogo é bem repetitivo, mas ainda sim achei bem divertido.

Sem confetes nem samba-enredo, eu – o folião assassino – já ficara exímio na arte de assassinar. Ao final da jornada de 4 dias praticamente ininterruptos, consegui terminar o primeiro jogo e começar o segundo. Sem dúvidas é uma das melhores franquias que já joguei, principalmente por seu valor histórico. Onde mais dá para aprender sobre a Terceira Cruzada assassinando pessoas? Bem, até o próximo carnaval ou feriado, e lembre-se: “Nothing is true, everything is permitted”.

Porque “Lincoln” não merece, mas vai ganhar o Oscar

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Indicado a 12 Oscars, finalmente consegui assistir “Lincoln” ontem. Steven Spielberg não apresenta, nem de longe, seu melhor trabalho aqui. Aliás, sua fórmula de filmar drama parece estar começando a desandar. Muitas cenas soaram forçadas, meio que preparando o terreno para Lincoln soltar uma bela frase de efeito. O longa tem um drama exagerado, inclusive por causa da trilha sonora de John Williams (de quem sou mega fã). A música incidental, que é colocada para deixar o espectador imerso ainda mais na trama, em “Lincoln” teve efeito contrário. Deslocada, muitas vezes me fez sair da emoção do filme e começar a percebê-la racionalmente.

Tudo isso me levou a classificar o filme de “dramalhão” já na saída da sessão. Spielberg já esteve melhor em “A Cor Púrpura” (1985), “A Lista de Schindler” (1993)  e “Amistad” (1997). “Lincoln” se sustenta durante suas 2h e 30 min apenas por causa das atuações. E que atuações! Daniel Day “OSCAR” Lewis (o Lincoln em pessoa) é um camaleão, sua interpretação está soberba. O prêmio de Melhor Ator talvez seja o mais merecido da produção. Tommy Lee Jones, indicado como coadjuvante também merece destaque, suas cenas na câmara, discursando sobre a 13º emenda, são ótimas. Sally Field, a esposa de Lincoln (também indicada a coadjuvante), faz um bom trabalho, mas às vezes exagera na atuação, quase teatral.

“Lincoln”, de fato, é uma grande peça de teatro filmada. Spielberg, que outrora já soube usar tão bem a linguagem cinematográfica a seu favor, como em “A Lista de Schindler”, deixa muito a desejar com sua direção clichê, autoreferenciada e chata. Desde “Cavalo de Guerra” (2011), Spielberg está perdendo a mão ao criar dramas.

Mas com todos esses problemas, por que “Lincoln” tem 12 indicações ao Oscar? Porque é um filme sobre um presidente americano, feito por americanos, para americanos e numa premiação americana. É o ápice do orgulho americano, Lincoln é praticamente um super-herói na terra do Tio Sam! Como já vimos acontecer antes (recentemente inclusive, com “Guerra ao Terror” na premiação de 2010), o Oscar é um prêmio essencialmente político, nem sempre o melhor ganha. A festa é para celebrar o cinema deles, quisera eu que “Amor”, o filme francês de Michael Haneke, levasse a estatueta. Dia 24 saberemos se meu raciocínio está correto. Torço para que não.

Lincoln está indicado nas categorias:

Melhor Fotografia, Melhor Figurino, Melhor Direção, Melhor Edição, Melhor Trilha Sonora Original, Melhor Design de Produção, Melhor Mixagem de Som, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Ator e Melhor Filme.