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Diálogo entre duas bichas na tarde do dia 18 de março de 2009, próximas à Assembleia Legislativa em São Paulo:
- Para tudo no bafão, bicha! Você viu quem morreu?
- Morreu não, exú, virou purpurina. Pur-pu-ri-na!
- Ai que luxo, né gata? Morrer e ainda ser enterrado com o próprio modelito.
- É a última moda em Paris sabia não? Aposto que o Ronaldo Ésper está se mordendo de inveja.
- Hum, deve tá mesmo. Quer ver que daqui a uns seis meses ele vai dá um jeito de aparecer na mídia de novo? Só que desta vez, vai roubar o paletó dele. Você vai ver!
- É né? Pra quem rouba até vaso de cemitério...
- Pois é.
- Bicha é tudo invejosa mesmo.
- Não perdoa nem na hora da morte.
- Alou! Bicha não morre beinhê! Já falei, vira purpurina!
Algum tempo depois...
- Quando a bicha é poderosa é poderosa mesmo!
- Por que você ta falando isso?
- Ué? Não sabe?
- Não.
- Ele morreu no dia do aniversário da Elis Regina, sua melhor amiga em vida.
- Em vida e em morte, né gata? Aposto que ela já preparou uma festa de arromba para a chegada dele lá no céu.
- Ou no inferno. Bicha é tudo venenosa, não vai pro céu coisa nenhuma.
- Ah, que seja! Só sei que hoje o céu, ou o inferno, é só festa!
- Open Bar ainda! Com direito a gogo-boy e tudo mais.
- Tudo na conta do Papa. Ai, perdão!
- Só de pensar nos convidados da festa, já fico bege!
- Dercy, Mussum, Zacarias, Bussunda, Rogério Cardoso, Nair Belo e a Hebe!
- Bicha burra! A Hebe não morreu ainda. Continua aqui, vivinha da Silva!
- Ah é verdade, desculpe a minha ignorância. É que tem morrido tanta gente boa que achei que já teria chegado a hora dela também.
- Bem que uma vez ele falou: "a Hebe é a bicha que deu certo, nasceu mulher".
- É.
- Eu fico pensando nos humoristas, gata! Estão perdendo suas fontes de inspiração.
- Não é que você está certa?! O que será dos humoristas a partir de agora?
- Um tédio! Principalmente o povo do Pânico.
- Há, que nada, agora que vai ser divertido! Ele vai puxar o pé deles todos os dias na hora de dormir.
- Ai ai, vou sentir saudades dele. Vai fazer falta.
- É, mais um pela nossa causa.
- Ô!
Quase na hora no enterro no cemitério do Morumbi.
- Quantas flores!
- No mínimo isso, né gata?
- Mas, o que você achou do buquê lilás que ele tava segurando?
- Um luxo! Mas se fosse vermelho ele iria arrasar!
- É também acho. Mas roxo significa luto.
- Tem razão. Agora me responde?
- Diga!
- O que você acha que vai estar escrito no epitáfio dele?
- "Não morri! Virei purpurina".
- Chega de purpurina! Essa é melhor: “Enterrado pela última vez”.
- Nossa! Larga de ser maldosa.
- Maldosa nada, realista! Do jeito que ele era, isso tá bem a cara dele. Escreveria isso tranquilamente.
- Você acha?
- Claro, meu bem!
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