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alfonso cuarón

Gravidade: uma incrível experiência audiovisual

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Um “pálido ponto azul”, assim definiu Carl Sagan ao ver a Terra do ponto de vista da Voyager 1, nos confins do sistema solar. A famosa foto de Sagan cumpriu seu papel ao mostrar, na escala do universo, o quão irrelevantes e pequenos somos nós. [Não conhece o “Pálido Ponto Azul”? Veja o vídeo aqui.]

“Gravidade” parte do mesmo pressuposto. A imensidão do espaço e o pequeno ponto/ser humano à deriva. Uma equipe de astronautas é enviada para fazer reparos no telescópio Hubble quando são pegos de surpresa pela explosão de um satélite russo, que causa um efeito em cadeia, gerando uma “chuva” de destroços na mesma órbita da missão. Com várias baixas e o ônibus espacial seriamente danificado, o experiente astronauta Matt Kowalski (George Clooney) e a Dra. Ryan Stone (Sandra Bullock) são os únicos sobreviventes do acidente. Sem comunicação com a Terra, precisarão se virar sozinhos para voltar para casa.

Com um elenco tão enxuto, o filme só funcionaria com a boa química entre os dois personagens. E a escolha não poderia ser melhor. Clooney encaixou-se perfeitamente no papel do veterano astronauta em sua última missão, esbanjando confiança e carisma. Já Bullock, a astronauta de primeira viagem, vai sutilmente revelando os conflitos internos da personagem, numa atuação que a coloca, mais uma vez, entre as melhores atrizes de sua época. O filme só funciona por causa dela.

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Escrito e dirigido pelo mexicano Alfonso Cuarón, de “Filhos da Esperança” (2006), “Gravidade” é um dos melhores thrillers espaciais já feitos, certamente o melhor da última década. Não há exagero algum ao dizer isso, nem mesmo quando comparado à “2001: Uma Odisseia no Espaço” (1968), na verdade, a comparação é INEVITÁVEL! A fotografia exuberante de Emmanuel Lubezki e o balé espacial da direção de Cuarón, não deixam dúvidas de que a intenção era ir muito além de apenas homenagear a obra de Stanley Kubrick. Com objetivos claramente distintos, “Gravidade” deixa de lado a filosofia de “2001” e foca na corrida pela sobrevivência num ambiente completamente hostil à vida.

A mirabolante direção de Cuarón, se aproveita de todos os artifícios da gravidade zero para levar a câmera num passeio sem eixo, com pontos de vista raramente explorados, indo e vindo na imensidão do cosmos. Ao mesmo tempo, mescla uma direção intimista, com longos closes e câmeras em primeira pessoa. É para se aplaudir de pé!

O som não se propaga no espaço, o silêncio impera. Então, como criar cenas de ação no silêncio absoluto? Mais uma vez o brilhantismo técnico de “Gravidade” nos dá uma aula de como utilizar a ausência de som para criar tensão, fazendo até da respiração dos personagens, uma trilha. Assinada por Steven Price, a trilha sonora é impactante, porém entra apenas em momentos pontuais, sem invadir a atuação e respeitando o silêncio.

GRAVITY

A junção da fotografia de Lubezki e os incríveis efeitos especiais, criam uma experiência única de imersão. O 3D realmente funciona e, assim como em “As Aventuras de Pi” (2012), está ali para ajudar a contar a história. Cenas como a explosão da estação espacial, com incontáveis destroços flutuando sem rumo no espaço, é tão incrível visualmente que a única expressão que consigo pensar para defini-la é: embasbacante.

O roteiro simples, porém, revelador, encanta não só pela narrativa, mas também pelas belíssimas metáforas sobre vida, morte e renascimento. Cada diálogo tem sua importância, cada ação representa alguma coisa. “Gravidade” não é uma filme de sobrevivência, é um filme sobre aprender a viver. É uma segunda chance com uma história incrível para contar.

Veja o trailer: