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Darren Aronofsky

Noé: o épico sobre o homem

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Desde o fim da Era de Ouro do cinema americano, Hollywood vem contando cada vez menos histórias épicas. Do grandioso Os Dez Mandamentos (1956) de Cecil B. DeMille, passando por Ben-Hur (1959) de William Wyler e por Lawrence da Arábia (1962) de David Lean, restaram apenas a lembrança das gigantescas produções, dos milhões de figurantes e dos orçamentos recordes. Hoje, substituídos pelos blockbusters, o gênero épico vive à margem dos estúdios.

Quem resolveu tirar o gênero do ostracismo foi o diretor Darren Aronofsky, mais conhecido pelo seu último trabalho, Cisne Negro (2010). Aronofsky é fascinado pela história de Noé desde os 13 anos, a ideia de fazer um filme com a sua versão da história perpassava a cabeça do diretor desde então. Porém, antes de levar às telas, Aronofsky desenvolveu um roteiro com Ari Handel, seu colaborador em Fonte da Vida (2006), O Lutador (2008) e Cisne Negro, e o entregou ao artista canadense Niko Henrichon, para que o adaptasse numa Graphic Novel. Lançada em 2011, o objetivo da história em quadrinhos, além de servir como base visual para o filme, era também ajudar Aronofsky a vender a ideia do filme à Paramount Pictures, estúdio por trás da produção.

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Com um orçamento estimado em 125 milhões de dólares, em 2012, a produção do épico começou a ser rodada. O papel de Noé ficou com o experiente ator Russell Crowe. Na trama, Noé recebe um sinal sobre o iminente castigo divino e precisa montar uma arca para salvar todas as espécies de animais. Completam o elenco: Jennifer Connelly, como Noéma (esposa de Noé), Anthony Hopkins, como o antepassado Matusalém e Douglas Booth, Logan Lerman, Leo McHugh Carroll e Emma Watson como os filhos Sem, Cam, Jafé e Ila, respectivamente.

A polêmica fica por conta da visão de Aronofsky da história clássica. Se por um lado tínhamos um foco grande no divino, na versão aronofskyana, o foco vai para o homem, mais especificamente, Noé. Explorar os dilemas pessoais do impacto de tal homérica tarefa na vida de Noé e sua família é o grande acerto da nova adaptação. Aronofsky usa o personagem para discutir os conflitos internos da humanidade: o que é certo ou errado, o que é ser bom ou mau, o que é ser homem. Noé carrega o peso do mundo nas costas, e esse destaque em sua psique o torna um personagem interessantíssimo a ser explorado. G-E-N-I-A-L!

A visão cruel da humanidade, brilhantemente personificada no vilão Tubal-cain (Ray Winstone), é um lembrete à imperfeição humana, ele nos coloca frente a frente com o problema, nos provoca, critica e aterroriza com a verdade. É, de fato, um julgamento sobre nossa humanidade.

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Na parte técnica, muita câmera na mão, planos sequências e tomadas por trás do personagem principal, todas características marcantes do diretor. A diferença dessa vez, fica por conta da escala do filme, Aronofsky está acostumado a fazer filmes menores, independentes e com baixos orçamentos. Mas engana-se quem pensa que o diretor deslumbrou-se com o cheque do estúdio, “Noé” é uma das direções mais competentes da carreira de Aronofsky até o momento. Outro ponto de destaque é a trilha sonora de Clint Mansell, grandiosa e impactante, marca o compasso e a escala do filme. Os efeitos especiais, principalmente no que diz respeito à chuva, estão impecáveis. Já o 3D, é convertido e não acrescenta ao filme, mais uma vez a tecnologia é usada apenas como caça-níquel do estúdio. Se possível, invista num ingresso de IMAX, vale a pena!

Envolto em muitas críticas religiosas, “Noé” não irá agradar ao público que espera a mesma história já conhecida. Trata-se de uma história baseada na original, com muitas distorções e elementos diferentes. Pessoas estão se equivocando ao chamar a releitura de Aronofsky de uma má adaptação. É uma nova história, um novo recomeço, mas com uma mensagem tão bela quanto. Esvazie-se do preconceito e aproveite o momento para um julgamento moral, junto a Noé e sua família. Seja ateu ou religioso, esse filme é sobre você: homem.